O espetáculo “O Peixinho que Descobriu o Mar” revelou-se uma experiência profundamente poética e envolvente, conduzida com mestria por Pedro Giestas, cuja presença é, sem dúvida, uma verdadeira mais-valia. A serenidade da sua narração, a experiência acumulada e a sua voz inconfundível criam uma atmosfera de acolhimento que prende a atenção das crianças desde o primeiro instante.
O chamado “teatro invisível” ganhou vida no Palácio Anjos, transformando o espaço num cenário de descoberta sensorial, onde cada gesto e cada objeto se tornam porta de entrada para a imaginação. A simplicidade encantadora do cenário, construído à mão com retalhos de tecido, pequenas figuras e origamis, reforça a delicadeza da proposta artística, cativando alunos e adultos pela autenticidade e criatividade que transpira.
Inspirado num conto de José Eduardo Agualusa, o espetáculo leva-nos a acompanhar Cristóbal, um pequeno peixe que vivia num aquário e sonhava com o mar de que tanto ouvira falar. Movido pela coragem e pelo desejo de liberdade, decide saltar para lá das paredes de vidro, mas a ousadia quase o faz perder a vida fora de água. É então salvo pela gata Verónica, que o apresenta ao albatroz Nicolau, o único capaz de o levar, finalmente, até ao tão desejado mar.
Esta história de sonho, imaginação e esperança tocou profundamente a todos. “O Peixinho que Descobriu o Mar” fala sobre coragem, sobre o impulso que nos leva a “saltar do aquário” que nos limita, e sobre a força que encontramos quando ousamos ir mais longe. Foi um momento mágico que encantou não só as crianças do 1.º ano, mas também os adultos que as acompanhavam. Uma celebração da capacidade de sonhar e de acreditar nas aventuras que a vida nos convida a viver.
Texto da Prof.ª Mariana Fonseca do AE Conde de Oeiras.